Este texto foi elaborado por Karl Marx, em Setembro de 1864. Um
texto que deve ser um guia, para a acção de todos os militantes,
particularmente os sindicalistas, na luta concreta do dia a dia, contra o
sistema de exploração capitalista. "Classe contra Classe".
Em
nome do simples desenvolvimento, a industria moderna faz
necessáriamente pender, cada vez mais, o prato da balança, para o lado
do capitalista, em detrimento do operário, tendendo a produção
capitalista a baixar, e não a elevar, o nivel médio do salário, isto é :
a levar, mais ou menos, o valor do salário ao seu limite minimo. Mas
se esta é a tendência das coisas, neste sistema, quer isso dizer que a
classe operária deva renunciar a resistir às usurpações do capital, a
abandonar os seus esforços para extorquir uma melhoria passageira da sua
situação, nas alturas que se possam apresentar? Se fizesse isso,
degradar-se-ia ao nivel duma massa informe, pauperizada, de seres
famélicos, para os quais já não haveria salvação. Penso ter demonstrado
que as lutas por salários normais são episódios inseparáveis do sistema
de salariato no seu conjunto, que, de 99 casos em 100,os esforços para
elevar os salários não são senão tentativas para manter o valor dado de
trabalho, e que a necessidade de disputar o preço deste, com o
capitalista, é inerente à condição que obriga o operário* a vender-se a
si mesmo como mercadoria.
Hesitarmos, sem coragem, no
conflito quotidiano com o capital, seria perder irremediavelmente a
faculdade de nos lançarmos, um dia, num movimento mais vasto.
Todavia,
e completamente fora da servidão geral que implica o sistema de
salariato, os operários não devem exagerar o resultado final destas
lutas quotidianas. Não devem esquecer que combatem os efeitos e não as
causas, que só podem retardar a queda mas não modificar-lhe a direcção,
que aplicam paliativos mas não curam o mal.
Não
devem, pois, deixar-se absorver completamente por estas escaramuças
inevitáveis, que nascem sem cessar das usurpações do capital ou das
oscilações do mercado. Devem compreender que o sistema actual, com toda a
miséria que os ataca, engendra, simultaneamente, as CONDIÇÕES MATERIAIS e as formas sociais necessárias para a transformação económica da sociedade.
Em vez da palavra de ordem conservadora: " Um justo salário quotidiano por um dia de trabalho justo" eles devem inscrever, na sua bandeira, a palavra de ordem revolucionária: Abolição do salariato.
Os
sindicatos agem** duma forma útil, formando centros de resistência às
usurpações do capital. Eles falham, parcialmente, no seu objectivo,
quando fazem um uso pouco ponderado da sua força. Falham inteiramente,
logo que se contentam em conduzir uma guerra de escaramuças contra os
efeitos do sistema actual, em vez de tentarem, de forma simultânea,
modificá-lo, servindo-se da sua força organizada como de um trampolim,
para a emancipação final da classe operária, isto é, para abolir, de uma
vez, o salariato.