Classe contra Classe !

POR UMA PRÁTICA SINDICAL ANTI-CAPITALISTA E AO SERVIÇO DA EMANCIPAÇÃO DA CLASSE TRABALHADORA!

domingo, 30 de outubro de 2011

Trabalhadores precários acusam Mota Soares de "fraude politica"



Trabalhadores precários acusam o ministro da Solidariedade de usar de "fraude política" ao afirmar que os trabalhadores a recibos verdes vão beneficiar este ano de "um alívio" de €270 nas contribuições para a segurança social.

O movimento que representa os trabalhadores precários acusa o ministro da Solidariedade de usar de "fraude política" ao afirmar que os trabalhadores independentes vão beneficiar este ano de "um alívio" de 270 euros nas contribuições para a segurança social.


O ministro Pedro Mota Soares anunciou sexta-feira que pouco mais de 400 mil trabalhadores independentes que são contribuintes ativos da Segurança Social (SS) vão beneficiar de um "alívio" de 270 euros por ano em contribuições.

Num comunicado assinado pelas associações Precários Inflexíveis, FERVE -- Fartos/as d'Estes Recibos Verdes e Plataforma dos Intermitentes do Espectáculo e do Audiovisual, o movimento considera que as declarações do ministro "são uma fraude política, porque o que foi 'anunciado' decorre apenas da aplicação do Código Contributivo, uma legislação que já está em vigor desde janeiro e que Pedro Mota Soares combateu abertamente no passado".

"Este Código Contributivo mantém integralmente a injustiça nas contribuições para os trabalhadores independentes "

O movimento alerta que "este Código Contributivo mantém integralmente a injustiça nas contribuições para os trabalhadores independentes, uma vez que continua a não existir qualquer correspondência entre rendimentos e o valor das contribuições".

Os trabalhadores precários destacam que, "ao contrário do que diz o ministro, não existe qualquer 'readequação do escalão segundo os seus verdadeiros rendimentos', porque os trabalhadores a recibos verdes são forçados a descontar valores fixos mensais, segundo os rendimentos obtidos no ano civil anterior".

"Apenas perpetua um sistema contributivo injusto"

"A 'redução média de 270 euros anuais' 'anunciada' pelo Ministro decorre da existência de um novo escalão mínimo, que, atenuando o valor mensal das contribuições dos trabalhadores a recibos verdes com menores rendimentos, apenas perpetua um sistema contributivo injusto", referem.


O movimento contesta ainda o anúncio do alargamento do número de prestações para regularização de dívidas à Segurança Social para os trabalhadores a recibos verdes, por considerar que "estas dívidas são quase sempre injustas, porque foram contraídas devido à conduta ilegal dos patrões, que não celebraram os contratos devidos e que remeteram os trabalhadores à situação de falsos recibos verdes".


Segundo o movimento, este ano cerca de 100 mil trabalhadores a recibos verdes, na sua maioria precários e com baixos rendimentos, foram notificados e cerca de 50 mil deles têm processos de penhora iminentes para pagamento das dívidas à Segurança Social.

"Porque a esmagadora maioria contraiu estas dívidas em situação de falsos recibos verdes, defendemos, hoje como sempre, a suspensãoimediata da cobrança das dívidas para que seja implementado de forma célere um mecanismo que detete estas situações e, desta forma, responsabilize também as entidades empregadoras incumpridoras", destacam.


Sábado 29 de Outubro 2011


Manuel de Almeida --Lusa

sábado, 22 de outubro de 2011

Milhões de trabalhadores, jovens e pensionistas na Grécia participam na Greve Geral , contra as medidas de austeridade da ofensiva capitalista !



Por:KKE

Comícios maciços e sem precedentes em dimensão e militância tiveram lugar em todas as cidades da Grécia.

Estas forças uniram-se de modo a que a proposta de lei com novas medidas anti-povo não será votada.


As palavras de ordem foram:


Abaixo o governo e os partidos da plutocracia, organização e aliança de trabalhadores por toda a parte, solução quanto à questão do poder. O slogan que ressoou no comício foi “Trabalhador, sem ti nenhum dente da engrenagem pode girar, tu podes actuar sem os patrões”, “Desobediência à plutocracia”, “Povo, uma frente para o poder”.


O enorme êxito da greve baseou-se na paralisação de fábricas incontáveis, grandes unidades de produção e outros lugares de trabalho por parte de trabalhadores e empregados que experimentam pobreza, privação e o beco sem saída do desemprego. A sua enorme dimensão e militância também foram baseadas no encerramento de numerosos pequenos negócios e loja os quais enfrentam o perigo do encerramento permanente.


Muitas novas forças de trabalhadores participaram pela primeira vez na greve dando uma dinâmica especial à luta contra a barbárie das medidas do governo, da plutocracia, do FMI e da UE.Desde a alvorada as forças do PAME com suas linhas de piquete apoiaram decisivamente os trabalhadores em lugares de trabalho “gueto” os quais decidiram avançar para a greve pela primeira vez, desafiando a intimidação do empregador e mesmo a mobilização civil, que o governo impôs aos colectores de lixo em greve das municipalidades, bem como os outros mecanismos de ruptura de greve utilizados pelo governo.


Os grupos provocadores que saltaram fora dos contingentes das organizações sindicais comprometidas do GSEE e da ADEDY procuraram mais uma vez criar incidentes encenados. No entanto, eles não conseguiram esconder a enorme dimensão e as exigências do imenso comício da greve, a participação organizada e protegida do povo trabalhador nas manifestações do PAME onde não se verificou um único incidente.No palanque do comício, Giorgos Perros, membro do Secretariado Executivo do PAME, declarou entre outras coisas: “não há governo para o povo - não importa se é chamado de centro-esquerda ou esquerda - se ele não entrar em conflito com os monopólios, se o seu programa não incluir o derrube dos monopólios ou, por outras palavras, a sua socialização. Ou com o povo ou com os monopólios. O poder do povo trabalhador ou o poder dos monopólios. Não há nenhum outro caminho! Não desperdicem qualquer momento. Contra-ataquemos todos juntos! Amanha, quinta-feira devem vir todos para o cerco do Parlamento pelo PAME, de todos os lados e ruas.


Processos nos partidos burgueses para inibir a torrente de fúria do povo.O enorme êxito do primeiro dia da greve exerce pressão sobre os partidos da plutocracia e o seu governo. Portanto, nestes momentos há uma intensificação dos processos para a reforma do sistema político pelo PASOK, o ND e os outros partidos burgueses, com cenários de uma “grande coligação PASOK-ND” bem como esforços a fim de assegurar o consenso para a aprovação das medidas anti-povo contra a torrente da greve que hoje inundou Atenas e outras cidades.


Em relação a estes processos, a secretária-geral do Comité Central do KKE, Aleka Papariga, afirmou em declarações aos media: “Não penso que o sr. Papandreu espere a nossa tolerância e consenso. Talvez por razões que têm a ver com publicidade no exterior ele está a reunir-se com partidos a fim de demonstrar que tem o seu apoio. Ele não tem apoio da nossa parte. Nenhum e de modo algum. O que ele tem da nossa parte é confrontação radical, total, real e substancial”.


Após a sua saída da reunião que teve com o primeiro-ministro, o qual efectuou uma série de reuniões com todos os líderes partidários, a secretária-geral do KKE declarou: “A partir de agora as coisas serão decididas literalmente pelo poder do povo e não pelas negociações que o governo realiza ou pelos conselhos e cimeiras com outros partidos”.


Aleka Papariga apelou ao povo para ir em frente sem medo, para abandonar ilusões até a vitória final e acrescentou: “Há uma solução: a riqueza que existe neste país deve tornar-se do povo. Devemos desligar-nos dos títulos da UE e cancelar unilateralmente a dívida. Não há solução intermediária”.


Deveria ser notado que todas as forças com orientação de classe reunir-se-ão para a segunda batalha na quinta-feira e para o cerco do Parlamento o qual constituirá um novo marco memorável na luta contra as medidas anti-povo, em conflito com os monopólios e o seu poder.

19/10/2011

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Van Zeller quer mais horas de trabalho gratuito e ameaça trabalhadores com despedimentos.



FranciscoVan Zeller, ex-patrão da CIP (Confederação da Insdústria Portuguesa) afirmou hoje que "A meia hora não fará nada", a não ser que esteja "ligada ao banco de horas".


Van Zeller demonstra assim que os patrões querem mais trabalho gratuito, como sempre. Os 17 dias por ano que os trabalhadores portugueses vão dar das suas vidas aos patrões, de nada servirá para a economia, mas é um presente que os patrões anseiam e desejam em maior quantidade.


Para além da declaração desta vontade, Van Zeller inicia uma nova chantagem sobre os trabalhadores do sector privado, afirmando que a supressão dos subsídios de férias e natal "É uma das possibilidades. As empresas, ao preferirem não despedir, podem cortar nos subsídios ou noutras regalias para evitar despedimentos. Não se sabe como é que isto pode ser feito legalmente, mas em 1983 fez-se".

sábado, 1 de outubro de 2011

Deixem-nos ser Professores! Parem com esta injustiça!



Resolução aprovada no Encontro de Professores Contratados de 17 de Setembro

Os professores desempregado e contratados, reunidos no dia 17 de Setembro no auditório da Escola Secundária Camões, manifestam a sua total indignação com o despedimento de milhares de professores necessários às escolas e com as novas e abusivas formas de contratação que o Ministério da Educação tem tentado impor.


Exigimos ainda a reposição do direito à compensação pela caducidade do contrato , tal como sustenta o parecer da Provedoria de Justiça e ordenaram as várias sentenças judiciais transitadas em julgado sem contestação do MEC . Exigimos também a vinculação ao fim de três anos de serviço tal como manda a Lei Geral do Trabalho . Depois do protesto do Rossio, no passado dia 10 de Setembro, e das mobilizações do dia 16 de Setembro, que deram visibilidade a uma situação tão injusta, os professores precários não desistem e entendem prosseguir a luta pelos seus direitos e por uma escola pública de qualidade.


Assim,
Consideramos inaceitável:
1 – Que até à data o Ministério da Educação tenha contratado menos cerca de oito mil professores que leccionaram todo o ano lectivo passado, deixando no desemprego mais de 37 mil docentes profissionalizados, quando sabemos que as escolas necessitam de recursos humanos para ajudar no combate ao insucesso escolar;

2 – Que docentes com mais de três anos de contratos consecutivos (alguns até com 10, 20, 30 anos) continuem sem ingressar nos quadros tal como determina a lei geral do trabalho;

3 – Que o Governo mantenha e anuncie o aprofundamento de medidas socialmente injustas contra os desempregados , ao nível do encurtamento de prazos de garantia ou da redução de montantes das várias prestações do subsídio de desemprego, rejeitando qualquer política articulada de criação de emprego.

4 – Que o Governo recuse pagar a compensação por caducidade do contrato aos professores desempregados, contrariando a Lei e as recomendações da Provedoria de Justiça. É igualmente inaceitável que o governo tenha já anunciado oficialmente a extinção total da Compensação por Caducidade do Contrato para 2013.

5 – Que o Ministério da Educação insista em tentar alterar as regras de contratação anual para evitar pagar os meses de Julho e/ou Agosto aos professores contratados .. Os contratos mensais prorrogáveis nos casos dos professores colocados em Ofertas de Escola referentes à totalidade do ano lectivo constituem uma situação claramente ilegal. Aparentemente, o Governo terá recuado nesta matéria, mas prepara-se para voltar a atacar. Exigimos a garantia expressa e clara de que os professores contratados para o ano lectivo inteiro vão receber os meses de Julho e Agosto.

6 – Que muitos lugares da Bolsa de Recrutamento não tenham ainda sido preenchidos nem disponibilizados a concurso para evitar o pagamento do mês de Setembro aos professores , prejudicando-se directamente os alunos, que iniciarão essas disciplinas apenas em Outubro;

7 – Que prossigam as injustiças nos concursos com critérios de contratação pouco claros ao nível das Ofertas de Escola em Escolas TEIP e outras, desrespeitando a graduaçãod e cada candidato na lista nacional.
8 – Que o MEC aprofunde a sobre-exploração da base da pirâmide dos docentes: AEC's, colegas de horários incompletos e temporários, etc.

9- Que o MEC tenha aumentado o número de alunos por turma no 1º ciclo e reduzido os apoios educativos e que muitas turmas dos restantes ciclos ultrapassem até o limite legal dos 28 alunos, prejudicando a qualidade do ensino

Escudado na austeridade contra os que menos têm (e que não têm responsabilidade pela dívida e pela crise), o Governo atropela os professores com desemprego e precariedade, ataca a generalidade dos trabalhadores e corta nos sectores sociais (Saúde, Educação, Segurança Social) minando as bases da justiça social.
Recusamos essa inevitabilidade e decidimos:

- Pedir uma reunião à Provedoria de Justiça e accionar a Procuradoria Geral da República, para dar nota do incumprimento pelo Governo das recomendações recentes do senhor Provedor de Justiça, para que os professores possam ter direito à compensação pela caducidade do contrato;

- Reunir igualmente como os Grupos Parlamentares para dar nota das nossas reivindicações;

- Dar visibilidade pública ao drama dos professores desempregados e contratados, através de pinturas murais e outras formas de divulgação;

- Manter a regularidade de acções de rua que juntem os professores contratados e desempregados para defender os seus direitos e organizar a resistência aos novos ataques à escola pública e aos seus docentes mais precários, interpelando directamente o Ministro da Educação.

- Participar nas manifestações contra as medidas de austeridade e por justiça social que se realizam nos dias 1 de Outubro (promovida pela CGTP) e 15 de Outubro (iniciativa internacional promovida por diversos movimentos).

O Ministério de Nuno Crato está a destroçar a Escola Pública e lança o país no atraso, na miséria e no obscurantismo. Este governo junta-se agora ao Quadro de Honra dos responsáveis directos por anos de atentados contra as escolas e o corpo docente: Guterres, Barroso, Lopes e Sócrates e os respectivos ministros da Educação.

Recusamos a pobreza, a inevitabilidade da injustiça e da desigualdade e o desmantelamento da Escola Pública.


Não nos calamos. Não desistimos.

Os professores contratados e desempregados

Escola Secundária Camões, 17 de Setembro, Lisboa.
http://www.facebook.com/#!/pages/Protesto-dos-professores-contratados-e-desempregados/268351343184641

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Não às medidas de austeridade, a classe capitalista que Pague a Crise!

A violência anti-social e anti-laboral da politica reaccionária do Governo capitalista PSD/CDS, com o apoio parlamentar do PS, seguida do anúncio reforçado em conferência de imprensa pelo FMI, que uma politica ainda mais reaccionária e austera está para chegar, são a prova bem concreta de que estamos perante a maior ofensiva capitalista dos últimos 50 anos, como aliás o 1ª Ministro disso fêz questão em se vangloriar, ou seja trata-se de destruir o resto das conquistas económicas e sociais conseguidas após o 25 de Abril e inclusivamente aquelas que foram conseguidas na década de 1960 durante a ditadura fascista de Salazar e Caetano.

O que quer dizer, que, o corte de 50% no décimo terceiro mês; O aumento brutal dos transportes colectivos, públicos e privados, (com anúncio de novo aumento para Janeiro); O aumento do IVA de 6%, para 23% da Electricidade, do Gaz e da maior parte dos géneros alimenticios de primeira necessidade; Os cortes anunciados de 10 a 15% no O.G.E. particularmente nas áreas da Saúde e Educação, fazendo a população pagar mais por estas; A reducção ao minimo do sistema proteccionista previsto na Lei Laboral, reduzindo drásticamente as indemnizações a que os trabalhadores tem direito, e desta forma facilitando os despedimentos e criando mais precariedade; Congelar os salários e reduzir o tempo e os subsídios de desemprego; Redução da Taxa Social Única ao patronato, que terá que ser compensada com mais aumentos de impostos, são apenas as primeiras medidas de austeridade de uma longa escalada reaccionária.

Para justificar esta ofensiva anti-social e anti-laboral o governo capitalista apoia-se em três pontos:
1º Que está vinculado ao cumprimento do "acordo memorando" que assinaram conjuntamente com o PS, com a triade imperialista UE/BCE/FMI.
2º Que lhes foi atribuída uma maioria pelos eleitores nas últimas eleições para governar e cumprir o seu programa.
3º Que se trata de um "esforço necessário" que visa reduzir o Déficit Público e recuperar a competitividade da economia nos próximos dois anos.


Sobre o empréstimo pedido à UE/BCE/FMI e do qual resultou este dito "acordo" altamente ruinoso e penalizante para os trabalhadores e para os mais pobres, diremos que ele é o resultado das politicas capitalistas anteriores que colocaram o país na Banca Rôta e que agora de novo servirá para recapitalizar a banca e a burguesia capitalista e ao mesmo tempo garantir o pagamento dos juros da divida presente e das anteriores contraidas pelos vários governos capitalistas.


Sobre a dita maioria eleitoral de que dizem beneficiar, não se trata de facto da maioria dos eleitores, mas sim apenas da maioria dos 55% que votaram, dado que o restante decidiu abester-se devido ao descrédito que sentem em relação a todos os partidos existentes, e em particular os com assento parlamentar.


Sobre o terceiro ponto, diremos que só por demagogia se pode dizer que a recessão económica e os sacrificios a impôr apenas durarão dois anos e que depois haverá uma retoma que permitirá o crescimento da economia, quando até os próprios economistas que defendem o sistema capitalista e o próprio governo, são unânimes em considerar que não vai ser fácil sair do meio deste furacão, e mesmo que haja qualquer recuperação, ela demorará no minimo uma década, mas com o agravar do actual quadro económico mundial, particularmente nas grandes potências económicas ocidentais, as suas consequências sobre a economia nacional serão ainda mais devastadoras e obrigará a um longo periodo de recessão, que só poderá ser ultrapassada pela redução drástica dos custos de produção, que implicará reduções colossais nos salários e nos direitos sociais e laborais do proletariado e restantes camadas pobres da população trabalhadora não assalariada e pensionista.


Perante esta ofensiva capitalista sem memória onde o quadro de exploração e de empobrecimento se aprofunda constantemente e sem qualquer possibilidade de retorno no quadro do sistema ecónomico capitalista, como é possivel se assistir a tanta passividade por parte da CGTP particularmente, dado que da UGT só se pode esperar traição, não só porque apoiou o acordo com a UE/BCE/FMI, como foi declaradamente apoiante da maior parte das medidas dos PECs do anterior governo, apesar de na sua demagogia diária se procurar encobrir em torno de qualquer medida que lhe pareça mais grave e não lhe deixe qualquer espaço de manobra. Foi esta passividade, moderação, diremos mesmo colaboracionismo, as formas limitadas e inconsequêntes das lutas travadas contra as politicas reaccionárias do anterior governo capitalista, o medo da sua radicalização como se provou a seguir à Greve Geral de 24 de Novembro que nos trouxe até aqui.


O mesmo se coloca em relação ao PCP e BE, que reduzem práticamente a sua dita oposição ao quadro parlamentar e a insistir na sua velha cruzada utópica de procurar humanizar o capitalismo, quando propõem uma maior equidade nas medidas, o que prova que não estão contra elas, mas apenas, que se peça mais aos capitalistas.


Exigem a "renegociação" ou "reestruturação" da divida soberana, com o objectivo de alargar o prazo e reduzir as Taxas de Juro, afim de suavizar as medidas de austeridade exigidas, pela simples razão que têm medo que tais medidas possam mobilizar os trabalhadores e provocar "conflitos sociais gravissimos" que possam colocar a ordem económica capitalista em causa.


Exigem que se crie os meios que permita o aumento da produção, que no seu entender combateria a crise e permitiria um maior desenvolvimento da economia capitalista, quando o problema e a origem da crise económica mundial e nacional está no excesso de produção e perda de competitividade, proposta esta, que a ser levada à prática no actual quadro capitalista, só poderia criar mais exploração e desemprego.


Censuram o governo capitalista por falta de perspectiva e o alertam para os perigos de recessão económica que tais medidas anti-sociais de austeridade provocam na economia, como se o governo e a classe capitalista disso não soubessem ou tivessem outra alternativa para defender os seus interesses, quando está impedida de modernizar e reestruturar o tecido produtivo, devido há falta de capitalização das empresas e ao estado de banca rôta em que se encontra o país.


O governo capitalista diáriamente nos sacode com várias e violentas medidas de austeridade, a cada minuto que passa torna a nossa vida num inferno, a CGTP só agora anunciou uma manifestação nacional e intenções de convocação de uma Greve Geral que já devia ter sido feita quando o governo anunciou o corte de 50% no 13º mês e no aumento brutal dos transportes, situação esta que permitiu ao governo uma primeira vitória e a embalagem para novas medidas como aquelas que já foram aprovadas e as anunciadas, assim esperamos tendo em conta que a ofensiva do Governo capitalista está para durar, que não nos fiquemos apenas por estas intenções, o proletariado e os mais pobres devem se mobilizar e exigir a radicalização das lutas até onde for possivel, afim de fazermos recuar o Governo e seus aliados e contribuirmos para a sua derrota.

Não às medidas de austeridade, a classe capitalista que pague a crise !

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Entre Viana do Castelo e Atenas



Os trabalhadores dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) manifestaram-se na rua, aprovaram uma moção, que prevê a possibilidade de viajem até Lisboa no dia 6 de Julho, caso nada for feito para viabilizar a empresa, protestaram contra o plano de pretensa reestruturação e tiveram o apoio de parte da população trabalhadora da cidade – foram mais de 3 milhares de cidadãos indignados em manifestação pacífica.



Na Grécia, em Atenas, dezenas de milhares de trabalhadores também se manifestaram e fizeram uma greve geral de 48 horas – houve cólera e a polícia carregou, com feridos e detenções.



Em Portugal, os trabalhadores ainda não perceberam que não faltará muito para que a situação seja muito semelhante à que se passa na Grécia, os despedimentos nos ENVC são o prenúncio do que irá pelo país fora quando as medidas deste governo se fizerem sentir em toda a sua profundidade. Estamos apenas no princípio.


“Pensamos que é um prazo razoável para haver um sinal da parte do poder político de que vai haver uma suspensão da decisão de despedimento brutal e que haverá outra solução para a empresa”, explicou António Barbosa, porta-voz da Comissão de Trabalhadores. A ilusão de que o governo ouvirá os trabalhadores, de que o novo ministro da Economia, o professor emigrante no Canadá, será sensível aos problemas da indústria nacional, nomeadamente de uma unidade produtiva nas mãos do estado e que poderá fazer concorrência aos privados do sector e, para mais, aos privados da União Europeia. A ilusão de que o PR Cavaco Silva, com o seu discurso demagógico de “comprar nacional” e de “regresso de Portugal ao Mar”, irá levantar uma palha sequer do chão no sentido de salvar o maior construtor naval nacional. Depressa as perderão.


A administração dos ENVC anunciou um plano de reestruturação, mais parecendo um plano de insolvência da empresa, a aplicar até final do ano, onde se destaca o despedimento de 380 dos 720 trabalhadores existentes actualmente na dita empresa. No entanto, segundo a Comissão de Trabalhadores, só desde o início de Junho, a empresa já reduziu os postos de trabalho para 703 e reclama que, nos próximos cinco anos, “mais de 450 funcionários estarão acima dos 55 anos”. Ou seja, o que a administração prepara é mais o encerramento da empresa do que o seu “emagrecimento” para a tornar mais rentável e assim a entregar aos interesses privados, sejam nacionais ou estrangeiros. Os trabalhadores dos ENVC poderão esperar sentados que jamais a CGTP ou a UGT mobilizarão os trabalhadores e o povo do concelho ou do distrito em sua solidariedade, porque esta nunca foi a sua prática neste tempo de democracia.


Na Grécia os cidadãos revoltados recusam pagar. Recusam pagar as portagens nas auto-estradas, recusam pagar o bilhete do metro, que ainda há pouco sofreu um aumento de 40%, de 1 euro passou para 1.40 euros, e recusam pagar impostos. Os trabalhadores gregos recusam as novas medidas recem aprovadas pelo Parlamento. O povo grego recusa pagar a dívida contraída pelos políticos traidores do PASOK. Em Portugal a recusa ainda não começou e não se compreende que um Carvalho da Silva, que surge todos os dias nas televisões a clamar pela moderação, a choramingar ao coração dos governantes e dos patrões para que se compadeçam da triste sorte dos trabalhadores eternamente sacrificados, encabece uma petição, que circula na net , para se proceder a uma auditoria às contas públicas sem exigir a suspensão prévia da dívida e dos juros usurários que nos são impostos. O coordenador da CGTP não sente a cólera de quem já vislumbra o desemprego ou que já vive a miséria de não ter um salário ao fim do mês; nem se dispõe a dizer “não pagamos!” nem a dizer “não ao capitalismo!”. Pois é exactamente isto que os trabalhadores portugueses devem fazer, a começar pelos trabalhadores dos ENVC!


Nota: Depois deste artigo já redigido é notícia o anúncio por parte do Governo em adiar a decisão da reestruturação para o dia 2 de Setembro, isto é, os despedimentos foram adiados para depois de férias e esperando que os ânimos esfriem e os sindicatos aceitem "melhores condições".


Os Bárbaros 03 de Julho 2011

terça-feira, 5 de julho de 2011

Proclamação da PAME - Frente Militante de Todos os Trabalhadores - Grécia

Trabalhadores e trabalhadoras – Jovens
Não ajoelharemos - Não deixaremos cair os braços na greve geral pan-helénica nos dias em que o memorando antipopular será discutido no parlamento.


Temos de “deixar vazias” todas as fábricas, locais de construção, escritórios, lojas, portos, barcos, tudo.

· Para que a condenação das medidas anti-populares seja geral e em massa e a nossa mensagem à plutocracia, ao governo e à troika seja forte.

· Para que esta greve seja o começo do cancelamento destas medidas bárbaras através da luta, mesmo que a maioria governamental, possivelmente em conjunto com os outros partidos ou deputados, as votem.

· Temos de entrar rapidamente na luta para tornar mais próximo o dia em que sejamos para sempre libertados da exploração de classe e da opressão. Só assim nos poderemos salvar das bancarrotas, crises, memorandos,
especuladores e desemprego.

Camaradas,
O quadro em que ocorre e a duração de 48 horas desta greve – a sua forma e as suas reivindicações – tornam-na uma das mais importantes mobilizações das últimas décadas no nosso país.

2 O seu sucesso será uma poderosa mensagem em todos os sentidos:
· Que não estamos dispostos a comprometer-nos com o pesadelo que nos prepararam.

· Que está contra eles não um “movimento das praças”, um movimento passivo e domesticado, geral e abstrato, um movimento de alguns “indignados”, mas um movimento sindical de classe que está organizado e forte em todos os locais de trabalho, em todos os bairros e povoações, e é capaz de determinar os acontecimentos a favor dos interesses populares.


Camaradas

NÃO DEVEMOS TER ILUSÕES – TEMOS DE AGIR AGORA

Esta crise é profunda e o seu desenvolvimento agrava-la-á. Não é o resultado de roubos ou maus gestores; não é uma crise provocada pela dívida. Isso é o sintoma, não a doença.

É uma crise de sobreacumulação de capital e de sobreprodução. É uma crise do capitalismo. É uma crise que diz respeito não só à Grécia, mas a todos os países. É por isso que o assalto aos direitos dos trabalhadores e do povo não tem fim.

A propriedade privada dos meios de produção está a aumentar o seu conflito com as necessidades do povo. A propriedade privada acumula enormes quantidades de capital que encontram dificuldade em ser investidos e realizados; produz imensas quantidades de mercadorias que não podem ser vendidas, apesar de as necessidades
do povo não estarem satisfeitas.

A saída para a crise em benefício do capital implica a destruição dos excedentes, o esmagamento das conquistas e dos direitos dos trabalhadores tornando mesmo a força de trabalho mais barata, ao mais baixo nível possível, a exploração mais brutal e o desemprego em massa.

Contudo, há uma outra saída em benefício dos trabalhadores e das camadas populares. Implica uma mudança na relação de forças, o poder dos trabalhadores e uma economia popular.

SEM MEDO NEM COMPROMISSOS
Está na hora de os trabalhadores rejeitarem falsos dilemas. A dívida não foi criada pelo povo nem em seu benefício. Os défices nas contas públicas e nos bolsos das famílias são os enormes lucros nos cofres dos capitalistas. Eles procuram travar, obstruir os processos positivos que se desenvolvem entre o povo.

O POVO NÃO DEVE NADA A NINGUÉM – A PLUTOCRACIA E OS PARTIDOS
BURGUESES É QUE DEVEM AO POVO
· Nós não queremos apenas regatear a retirada do memorando. Lutamos contra as políticas que dão origem aos memorandos.

· Não queremos apenas que o PASOK (socialdemocratas) se vá embora e que mude o administrador. Queremos acabar com o capital e com as multinacionais cujos lucros são geridos pelos vários administradores.

3 O capitalismo não se tornou humano, quaisquer que possam ser os administradores do capitalismo na Grécia e na Europa. Será cada vez mais brutal para as camadas populares.

Não devemos cair na ratoeira dos referendos. Isso é causar desorientação, é uma caricatura da pretensa “democracia direta”. Na essência, o que eles procuram fazer é implantar um sistema reacionário e uma política antipopular com a concordância do povo.

PODEMOS MUDAR A SITUAÇÃO A NOSSO FAVOR
É um momento de responsabilidade para todos nós e especialmente para aqueles que reforçaram o PASOK (socialdemocratas), a ND (conservadores) e os partidos que apoiam a EU, através do seu voto e da sua atuação.

DIRIGIMO-NOS a todos os homens e mulheres que acreditaram no PASOK e na ND e lhes deram o poder e os seus mecanismos no movimento sindical. Apelamos a que dêem o passo hoje. Apelamos a que se juntem à luta comum para travar a humilhação do povo. A assumir a nossa própria perspetiva.

· Temos de tornar os nossos sindicatos autênticas organizações de massas; temos de nos juntar a eles para os transformar em baluartes da luta, em praças-fortes de resistência contra os patrões, contra os capitalistas e o sistema burguês como um todo. Todos os trabalhadores se devem organizar em massa dentro dos sindicatos. Os baluartes fundamentais da organização são as assembleias de trabalhadores e empregados na fábrica, na empresa, no sindicato.

· As ações diárias dos trabalhadores devem partir do sindicato, do processo coletivo de assembleias-gerais.

· Temos de correr com os sindicatos dos patrões, os comprometidos, a aristocracia operária que é o aliado e o braço direito do capital. Nos nossos sindicatos temos de puxar pelas pessoas lutadoras que são honestas e
dedicadas aos interesses da classe trabalhadora.

· Temos de enfraquecer o PASOK e a ND e todos os partidos que são os administradores dos interesses capitalistas e defensores dos blocos imperialistas e de mecanismos como a União Europeia e a NATO. Temos de melhorar a relação de forças a nosso favor e contra eles.

· Temos de construir a nossa própria frente social contra o esforço deles para se unirem na tomada de medidas para nos retirar tudo e nos pôr de joelhos por muitas décadas.

O futuro dos nossos filhos e o nosso próprio futuro não podem ser determinados pela vontade dos nossos exploradores. Temos de ganhar forças para impor os nossos próprios interesses.

COM A PODEROSA PAME E A ALIANÇA SOCIAL PODEMOS CONSEGUI-LO