POR UMA PRÁTICA SINDICAL AO SERVIÇO DA EMANCIPAÇÃO DA CLASSE TRABALHADORA!

terça-feira, 4 de julho de 2023

Karl Marx : Sindicatos e socialismo


 

Este texto foi elaborado por Karl Marx, em Setembro de 1864. Um texto que deve ser um guia, para a acção de todos os militantes, particularmente os sindicalistas, na luta concreta do dia a dia, contra o sistema de exploração capitalista. "Classe contra Classe".

Em nome do simples desenvolvimento, a industria moderna faz necessáriamente pender, cada vez mais, o prato da balança, para o lado do capitalista, em detrimento do operário, tendendo a produção capitalista a baixar, e não a elevar, o nivel médio do salário, isto é : a levar, mais ou menos, o valor do salário ao seu limite minimo. Mas se esta é a tendência das coisas, neste sistema, quer isso dizer que a classe operária deva renunciar a resistir às usurpações do capital, a abandonar os seus esforços para extorquir uma melhoria passageira da sua situação, nas alturas que se possam apresentar? Se fizesse isso, degradar-se-ia ao nivel duma massa informe, pauperizada, de seres famélicos, para os quais já não haveria salvação. Penso ter demonstrado que as lutas por salários normais são episódios inseparáveis do sistema de salariato no seu conjunto, que, de 99 casos em 100,os esforços para elevar os salários não são senão tentativas para manter o valor dado de trabalho, e que a necessidade de disputar o preço deste, com o capitalista, é inerente à condição que obriga o operário* a vender-se a si mesmo como mercadoria.

Hesitarmos, sem coragem, no conflito quotidiano com o capital, seria perder irremediavelmente a faculdade de nos lançarmos, um dia, num movimento mais vasto.

Todavia, e completamente fora da servidão geral que implica o sistema de salariato, os operários não devem exagerar o resultado final destas lutas quotidianas. Não devem esquecer que combatem os efeitos e não as causas, que só podem retardar a queda mas não modificar-lhe a direcção, que aplicam paliativos mas não curam o mal.

Não devem, pois, deixar-se absorver completamente por estas escaramuças inevitáveis, que nascem sem cessar das usurpações do capital ou das oscilações do mercado. Devem compreender que o sistema actual, com toda a miséria que os ataca, engendra, simultaneamente, as CONDIÇÕES MATERIAIS e as formas sociais necessárias para a transformação económica da sociedade.

Em vez da palavra de ordem conservadora: " Um justo salário quotidiano por um dia de trabalho justo" eles devem inscrever, na sua bandeira, a palavra de ordem revolucionária: Abolição do salariato.

Os sindicatos agem** duma forma útil, formando centros de resistência às usurpações do capital. Eles falham, parcialmente, no seu objectivo, quando fazem um uso pouco ponderado da sua força. Falham inteiramente, logo que se contentam em conduzir uma guerra de escaramuças contra os efeitos do sistema actual, em vez de tentarem, de forma simultânea, modificá-lo, servindo-se da sua força organizada como de um trampolim, para a emancipação final da classe operária, isto é, para abolir, de uma vez, o salariato.

 
 
 
 
Isabel Camarinha/CGTP. A situação a que chegámos «É insustentável»: 
 
Concordamos inteiramente, mas só tal reconhecimento não basta!

 
Depois da forte participação de muitos milhares de trabalhadores nesta Jornada de luta Nacional e a possibilidade da sua ampliação a muitos mais milhares de trabalhadores, também eles fortemente atingidos pela política de direita do governo, pela ofensiva inflacionária, pelos aumentos dos juros, e dos efeitos de retorno das sanções impostas em nome do direito internacional a quem se opõe à política de expansão e hegemonia dos EUA/UE.
 
 Esperemos agora que tal reconhecimento de crescente "insustentabilidade", de pobreza e extrema pobreza para grande maioria da classe trabalhadora e reformada, por parte de Isabel Camarinha vá mais longe e lhe permita reconhecer que tal situação, é resultado também da sua própria política sindical que em nome de uma "política responsável" (que a burguesia não se cansa de elogiar, sempre que é confrontada com processos de luta que ultrapassem as normas de conciliação e concertação que impôs e está habituada) sem que tais satisfaçam as necessidades dos trabalhadores, se possa concluir que tal política sindical "responsável" que conjuntamente com a ofensiva capitalista nos trouxe até aqui, tenha que ser alterada na medida em que não serve os interesses de quem é explorado e condenado a viver abaixo das suas necessidades sociais e que por isso se torna URGENTE e NECESSÁRIO uma outra política sindical que elimine tais práticas colaboracionistas para que se possa obrigar o governo e a classe capitalista a recuar e a ter que satisfazer os interesses dos trabalhadores.